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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com.br Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
WALDICK SEMPRE WALDICK (Um artista que foi o precursor do sertanejo universitário, interpretado por Leonardo e outros cantores) Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto e videos internet Jaboticabal, 12 de maio de 2018 Ao tentar escrever este artigo sobre Waldick Soriano, fiz algumas pesquisas pela internet e conversei com algumas pessoas sobre o estilo do artista. Todos se lembram do seu estilo de vestir, geralmente um terno preto gravata e um chapéu como os heróis de “bang bang”, de western e se lembram também da música “Eu Não Sou Cachorro Não” Waldick Soriano foi considerado o rei do estilo brega, do estilo cafona e muitas vezes por jornais e pela mídia, era tido como um artista menor.  Waldick Soriano compunha e cantava músicas românticas e de cunho popular. Em favor de Waldick Soriano e de seu estilo brega, como todos diziam, seria interessante lembrar Fernando Pessoa, que através do heterónimo Álvaro de Campos escreveu o poema “todas as cartas de amor são ridículas” onde na primeira estrofe ele escreve: “todas as cartas de amor são ridículas” “não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Porque um artigo sobre Waldick Soriano, 10 anos depois de sua morte e de um artista que foi considerado sempre como cafona?  Esta é a pergunta do leitor deve estar se fazendo agora e neste ponto devemos responder ou lembrar, que a música popular brasileira hoje tem alguns estilos que lembram ou esbarram no estilo, não só de Waldick Soriano mas também de outros artistas que trabalharam entre os anos 60 e 80, como Lindomar Castilho, Reginaldo Rossi, Paulo Sérgio, Sidney Magal entre outros. Se fossemos sinceros quando criticamos estes artistas que citei acima e inclusive Waldick Soriano, deveríamos nos perguntar, qual a diferença deles e de Roberto Carlos ou outros cantores românticos que fizeram sucesso e foram aceitos pela critica? Talvez a única diferença é que as gravadoras investiram mais em Roberto Carlos e em alguns cantores românticos e não em outros? Tanto que temos gravações de Waldick Soriano, interpretando Roberto Carlos! Aqui antes de prosseguir eu faço uma provocação ao leitor: o Cazuza com todo o talento que tinha e eu não nego que tinha talento, teria o mesmo espaço que teve na crítica e na mídia que lhe era favorável, se não fosse filho do produtor musical da gravadora Som Livre, João Araújo? Não se trata de talento, mas de espaço no mercado da música. Muitas vezes o que faz a diferença entre a aceitação ou rejeição da mídia é porque o artista tem origem ou apoio deste ou daquele grupo de comunicação. Waldick Soriano nasceu na Bahia em Caetité, em 13 de maio de 1933 município distante 645 km da capital Salvador, município que em 2017 tinha, aproximadamente 52600 habitantes. O nome completo de Waldick Soriano na realidade é Eurípedes Waldick Soriano. Waldick Soriano conta em uma entrevista ao G1 datada de 2007, um ano antes de morrer, que a única recordação triste ele tinha da infância, foi quando perdeu a mãe.  Ele tinha 10 anos quando este fato aconteceu, mas na realidade ele foi afastado da mãe aos 5 anos, quando ela se separou do pai de Waldick e foi morar em São Paulo. Ela era cantora. O seu pai Manoel Sebastião Soriano era comerciante de Ametistas no distrito Brejinho das Ametistas, na cidade natal do artista. Antes de começar a carreira artística, nos anos 50, com a música “Quem és tu” quando ficou conhecido e de se consolidar na década de 60, pela Gravadora Chantecler, com o álbum de mesmo nome, Waldick Soriano exerceu várias profissões. Antes de ser artista ele trabalhou como garimpeiro, caminhoneiro e até engraxate como ele mesmo fala no documentário “Waldick sempre no meu coração” de 2008 produzido por Patrícia Pillar. O pior serviço em que trabalhou, como ele mesmo fala, foi o de garimpeiro que é muito arriscado. Ele conta que eles mesmos faziam a comida que era chamada Pedregulho.  Eles colocavam tudo na panela, feijão, arroz ou Toicinho, tudo que tivesse era misturado. O sonho dele sempre foi ser cantor, mesmo naquela época e ele era acordeonista, como se fala que no sudeste ou sanfoneiro ou gaiteiro no sul do país. Quando saiu de sua cidade para começar a carreira artística disse que só voltaria para lá se fizesse sucesso e foi em São Paulo que ele começou. Da década de 60 até quando morreu em 2008, foram mais de 50 discos com mais de 600 músicas. Além do seu maior sucesso “Eu Não Sou Cachorro Não” ele tem músicas como “Torturas de Amor” gravadas por Fafá de Belém Maria Creuza. Waldick Soriano foi interpretado ainda por Leonardo e outros interpretes. No documentário de Patrícia Pillar Waldick Soriano fala que rodou muito pelo Brasil fazendo Shows. Muitas vezes ele via a população que a cidade tinha e calculava que deveria haver cinema na cidade em que chegada. Assim ele alugava o cinema para o show. Em 1972 participou de um filme denominado “Paixão de um homem” nome de uma de suas músicas, o filme foi lançado em16 de novembro daquele ano e tem 1h 37min de duração, sendo dirigido por Egydio Eccio e além de Waldick Soriano tem no elenco, Maria Viana e Walter Portella Aliás foi do cinema de Western que ele gostava, que ele tirou seu estilo de se apresentar, chapéu, terno geralmente escuro, na linha do personagem Durango Kid interpretado em 1940, na década de 40 por Charles Starrett. Em uma de suas entrevistas Waldick Soriano, perguntado sobre o recurso do playback já no ano 2000, ele disse que não usava nem o playback de voz e nem o playback só acompanhamento. Segundo Waldick Soriano, esse tipo de recurso empobreceria show. E tinha razão.  Para as viagens ele mesmo conta que levava sou um violonista seu e depois no local do show, contratava músicos locais o que dava um efeito muito melhor e muito mais natural. No começo dos anos 90 Waldick Soriano mudou-se para a cidade de Teresina no Piauí, e começou uma parceria com violonista Fernando Fonseca com quem fez uma turnê show pelo país inteiro. Esta seria a última turnê que ele faria durante a vida.  Em 1992 ele mudou para Fortaleza Ceará e com o pianista Oliveira Júnior continuou fazendo pequenas apresentações, até que foi diagnosticado com câncer de próstata. Waldick Soriano tentou tratamento em vários locais inclusive no Inca (Instituto Nacional do Câncer) de Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro. O diagnóstico foi em 2006 e em 2008 ele faleceu no dia 4 de setembro. Waldick Soriano fala que a condição de poeta, muitas vezes faz com que o sofrimento, os sentimentos em geral, virem a “matéria prima” para a composição da poesia da música. Segundo Waldick Soriano, o poeta não tem condições se livrar destes sentimentos e isto ele traduz em seu trabalho. “O poeta ama intensamente” assim falava Waldick Soriano em outras palavras no filme documentário “Waldick Soriano sempre no meu coração” de Patrícia Pillar lançado em 2008 um ano depois da morte do compositor e cantor. Ao fazer este artigo ouço agora, mais uma vez músicas do autor e interpretadas por ele mesmo. Analisando a melodia, vemos que não há nada de cafona, como muitos críticos falam e neste ponto é estranho como pessoas ligadas à cultura, que não vou citar o nome, torceram o nariz quando eu disse que faria um artigo sobre Waldick Soriano. A reação que vi em algumas pessoas era como se as músicas de Waldick Soriano não tivessem valor algum. Seria interessante analisar se este preconceito que os críticos criaram sobre ele e muitas vezes impede, que pessoas da área cultural, parem para ouvir este autor e intérprete, não teve um interesse em realçar outros cantores da mesma linha que Waldick Soriano, por causa de interesses de gravadoras. A melodia é romântica e como todo bolero fala de amores que não deram certo, boleros que como sempre foram cantados em bares e boates, o que talvez ajudou a reforçar o preconceito contra o autor.  Waldick Soriano era ouvido também em casas de meretrício, mas aqui devemos nos perguntar, qual a música que hoje, do sertanejo universitário não é ouvida também em lugares assim. O historiador Paulo Cesar Araújo no site do G1/Globonews, em matéria do dia 11/04/2013, aponta que as elites culturais brasileiras sempre desprezaram Waldick Soriano porque ele não se enquadrava nem na tradição, como os sambistas de raiz Nelson Cavaquinho e Cartola, e nem na modernidade, com influências da Bossa Nova e do jazz.
clique na foto abaixo e veja a discografia de Waldick Soriano
Durango Kid
No final do artigo, clique e ouça maias músicas do artista
 clique na foto e ouça: É melhor para nós três
clique e ouça a música Torturas de Amor
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